• Luiza Frazão

Cadeiras de Pedra - Tronos da Deusa



Num monte situado perto da estação ferroviária de Óbidos encontrei esta formação rochosa lembrando um cadeirão ou trono. Algum tempo antes, curiosamente, tinha encontrado este artigo sobre cadeiras sagradas da Irlanda, relacionadas nomeadamente com a Deusa Cailleach Bhéarra, a nossa Cale, ou Calaica-Beira, Deusa dupla, com Brígida como a sua face jovem.

O monte em questão é sagrado, como a capela dedicada a S. Antão que se encontra no seu topo nos indica, e aí se realiza, a 17 de Janeiro de cada ano, uma celebração precoce do Imbolc celta, com as e os devotos comprando e acendendo no interior da capela velas protectoras para os seus animais, enfeitadas com fitinhas de algodão cor-de-rosa. Esta devoção e pedido de protecção é além disso pretexto para um animado convívio, com pequenas fogueiras acesas dispersas pelo espaço, entre pedras e vegetação (lembrar que Brígida é Deusa do Fogo e do Sol) onde se grelha a carne e os enchidos de que as e os visitantes se abastecem também ali, sem esquecer os bolos, o vinho e, claro, o azeite novo.


Existem outras cadeiras famosas em Portugal, como a da serra de Sintra, a cadeira da Deusa, que protege as mulheres no parto, e aquela que foi integrada na capela de Nossa Senhora do Monte, na Graça, conhecida como a cadeira de S. Gens, onde as mulheres que sofrem de infertilidade vão sentar-se para obterem a graça de conceber uma criança.


A informação do blogue em questão fala-nos de três cadeiras famosas:


“A cadeira e poço de S. Patrick (também conhecida como Cadeira e poço dos Druídas ou de Santa Brígida) fica em Altadeven Wood, não muito longe do trilho Ulster Way. A cadeira é um enorme bloco de pedra de 2 m de altura, em forma de trono. O Poço, que dizem que nunca seca, é outra pedra, mas esta tem uma depressão de 25cm. Esta é preenchido com água natural. De acordo com o folclore, a água dentro dessas depressões, ou bullauns, tem poderes curativos e este poço é considerado bom para curar verrugas.


Nos marcos do topo da colina, Cailleach Bhéarra desempenha um papel proeminente no que diz respeito às cadeiras de pedra. No Norte, onde ocorrem monumentos funerários, os seus assentos costumavam ficar nas proximidades dessas estruturas neolíticas. Uma esplêndida cadeira de pedra de Cailleach é o marco de pedra em Loughcrew, County Meath. Num lugar chamado ‘The Spellick’, não muito longe de sua casa em Slieve Gullion, no Condado de Armagh, ela tem outro assento de pedra. Até as primeiras décadas do século vinte, as reuniões comunais da colheita aconteciam no Spellick on Bilberry Sunday, e as pessoas sentavam-se na cadeira como parte das festividades.


Áine's Rock Chairs, também conhecida como The Mad Chair of Dunany

Uma grande pedra chamada "a cadeira de Aine, ou a cadeira dos lunáticos", foi localizada, possivelmente ainda lá está, perto de Dunany, e as pessoas geralmente acreditavam que os lunáticos, movidos por algum impulso insuperável, se em liberdade, geralmente faziam o seu caminho até esta pedra, e sentavam-se três vezes sobre ela; e geralmente acreditava-se que depois de realizar aquela cerimônia ficavam incuráveis. Também era considerado um ato muito perigoso para pessoas de mente sã sentar-se sobre essa pedra, para que não se tornassem sujeitas ao poder de Aine, isto é, afetadas pela loucura. A raça humana não foi os únicos seres supostamente afetados pela travessa Aine, já que até se dizia que cães raivosos vinham de muitas partes do país e aglomeravam-se em torno desta pedra, com grande perigo para os vizinhos e para o gado: depois de permanecerem em volta da cadeira dos lunáticos por algum tempo, os animais retiravam-se para o mar, como se compelidos por algum poderoso poder invisível, e o povo supunha que eles eram forçados a visitar os domínios submarinos de Aine, já que estavam inteiramente sob o seu domínio e sujeição.


Em:

https://stoneartblog.blogspot.com/2010/04/stone-chairs-some-ancient-some-not-so.html?m=1&fbclid=IwAR0ZVXjuO-QxqdpX_iLXxCgheeAAZNjaD20-CaHyEL4F8g9T3PdPbJlRacg

Entretanto, o tema do trono da Deusa, que era visto igualmente como o seu próprio regaço, tem muito mais que se lhe diga...

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