O mundo precisa da nossa atenção para existir, dizem-nos mestras e mestres, tudo precisa da nossa atenção para existir e não há nada mais triste, para quem pratica uma espiritualidade centrada na Natureza, do que ver como determinados lugares onde outrora se acedia tão facilmente ao divino foram fechados, ou diminuídos e desfigurados, pela construção de templos duma espiritualidade mais tardia, toda voltada para o céu, que associou a terra ao mal. O divino foi encapsulado em edifícios frequentemente de mau gosto, na melhor das hipóteses estandardizados, intercambiáveis. Por vezes essas capelinhas usaram como paredes as próprias pedras veneráveis de dólmenes antigos ou assimilaram e tornaram parte do seu espólio outras que por milénios o povo considerou como sagradas, portais que tornavam acessíveis as graças da Grande Mãe.

O nosso objectivo com esta iniciativa é reconhecer e resgatar essas rotas sagradas da espiritualidade da Deusa, que englobavam os lugares da Sua manifestação, os Seus templos naturais, por vezes objecto de alguma intervenção humana, onde frequentemente culturas pré-cristãs deixaram também as suas marcas. Trata-se duma actividade espiritual que tem parte de aventura, de pioneirismo, de estudo e de pesquisa, de trabalho sobre nós mesm@s, culminando com a activação, em cerimónia, desses lugares, que desejamos que permaneçam tão selvagens e intocados quanto possível. Discreta ou secretamente, entendemos que é bom eles sejam mesmo assim reconhecidos e adoptados por pessoas de boa vontade que se sintam suas e seus guardiãs e guardiões. Na verdade, esses lugares de poder do corpo vivo de Gaia têm muitas revelações a fazer-nos, guardam muita informação à espera de ser acessada.