BELTANE

 O FESTIVAL DA DEUSA AMANTE

Beltane, direção Sudeste, festejado a 1 de Maio, é um dos mais esperados e celebrados festivais da Roda do Ano pagã, com tradições tão arraigadas que algumas sobreviveram, apesar de tudo, até hoje. A temperatura tornou-se muito mais agradável, já podemos dizer que o bom tempo chegou, e os campos férteis atingem agora um dos pontos mais altos do seu esplendor, repletos de flores de todos os tamanhos, cores e formas. Também os pomares, com deslumbrante floração, e os jardins, onde no nosso território abundam as rosas da Deusa, apresentam nesta altura porventura a sua face mais colorida e mais bela. As forças da criação estão no máximo do seu poder e azáfama; toda a natureza rejubila plena de vitalidade, de desejo e de paixão, incitando-nos a celebrar a sexualidade como algo de inerente a todos os seres e de muito sagrado, como uma celebração da própria vida e da união que a torna possível. Este é o tempo de honrarmos a Deusa no Seu aspeto Amante, Senhora da Fertilidade e da Soberania da terra. Tempo de glorificarmos e de celebrarmos a Amante em nós e fora de nós, na Sua natureza. Tempo de reconhecermos a nossa própria perfeição, abstraindo-nos das inseguranças inculcadas pela cultura e pelo mercado, que delas se alimenta, indo para lá dos apertados critérios de beleza patriarcais, e ousando envergar e irradiar com gratidão e alegria a nossa própria formosura como um manto de pura Graça de que a Criadora dotou todas as Suas criaturas, feitas à Sua imagem e semelhança. Tempo igualmente de celebrar a beleza de quem está próximo do nosso coração. Tempo de, como dizia a canção, usar flores nos cabelos! E cores, vermelho e rosa forte, e de nos sentirmos férteis e criativas. Tempo de habitarmos o nosso corpo, de apreciarmos todas as sensações dos nossos sentidos e mais além, reverenciando em nós e em toda a terra a magnética energia sexual que nos compele à fusão, da qual nascerá a nova vida, ou tão-somente a experimentarmos o puro prazer e a completude da Amante em nós, com a sua exuberância e espírito selvagem, cujo desígnio é apenas esse, Amar! Amar e sentir Prazer e Êxtase. Prazer é mesmo a palavra-chave de Beltane, todos os Prazeres, tão centrais neste nosso Jardim das Hespérides que uma das denominações da Amante é, precisamente, Senhora dos Prazeres.

De entre as celebrações de Beltane que perduram na nossa tradição, ainda existe, por exemplo, a festa das Maias. Também o ritual pagão de ir pelos campos colher determinadas flores no chamado Dia da Espiga, a Quinta-feira da Ascensão cristã, se inclui nos rituais de fertilidade deste tempo, em que honramos Cale, a Amante, Iccona Loimina, Helena dos Caminhos, a Senhora dos Caminhos, a Senhora dos Verdes, Maia, a Rainha de Maio, a Senhora dos Campos, a Senhora das Flores, a Hespéride Genivera, a Senhora dos Prazeres, a Senhora do Espinheiro, a Moura Amante.

in A Deusa do Jardim das Hespérides: Desvelando a Dimensão Encoberta do Sagrado Feminino em Portugal, Luiza Frazão, Zéfiro 

179892583_10225446898669942_341451883513